quarta-feira, janeiro 13, 2010

Imbróglio ao pairar sobre Africa

Pois não pudera ser outro o jeito profundo na alma…Dos traços do Antepassado largo e irreal, o mesmo eco desassossegado levantando-se. Deixar casa. Adeus. Um deixar-se a Deus; não se sabe quem se perde, quem fica perdido. O Barco Negro. E a praia é no espaço que não existe, o eterno tempo de espera, o velho tempo de quem perde a conta a lua, o velho tempo escondido da loucura. Persiste e entre as velas e a luz o mar cheio. Meio de morrer, meio de nascer. Afinal há-de ser isso a viagem. Fénix. Vento, vento nas asas e o sonho a ardendo o voador.

O gesto antigo. Lançar-se. Histórias que se ouvem suspeitam que seja fruto do sangue. Serei o menino de lenço brincando de marinheiro que se dá ao mar, que o leve a desgraça e a fortuna, para longe? Serei da linhagem?

Destoa algo mais velho em mim, algo mais simples. L’Étranger. Não sabe bem…veio e não sabe bem se procura, se foge, se espera. ‘’Se não sabes onde vais porque teimas em correr?” E a Missão. Não tem nada de divino, não há nada de heróico. Atrevido talvez, descuidado, naive algures…o gesto de ser-se. Lançar-se. O abismo coincide com o horizonte. O palpitar da morte vive e tem que viver. Dar-lhe mais que o Corte seria deixá-lo sorver tempo e folgo que pertence a outros lugares. A cedência ao medo, o ‘’worst-case scenario”, o “e se acontecer” combatem-me a confiança, sorrateiros cobrem, feitos sombras trepadeiras, as costas do eco primeiro. Entregar-se. O fundamento da sociedade, o impulso irreprimível de ajudar. Confundiram-se indiferença e força, mas o meu diz-me de dentro aponta que a força na sensibilidade. É difícil partir, é difícil fechar uma porta sem chave a voltar a abrir. E aqueles que se deram 40 anos àqueles meninos, aos brinquedos de engenho e lata? E os que continuaram além-mar e esperam notícias no contínuo dos seus caminhos sem deixar de ajudar? O que existe entre mim e esses outros eus e alguém dos dois lados a volta da praia…?

Partindo tenho saudades do tempo em que hei de voltar…Voltando terei saudades do tempo em que havia partido…E é assim que me faço na viagem de cabine que é o avião… 12 horas são bom tempo para cair em tais imbróglios de pensar, labirintos de quem pergunta demais e sabe de menos… Aqui uma tentativa de beleza e um perfil vestido de sentimento e algures trágico. O Barco Negro. Ali um espírito quase filosófico, olhando-se a si de fora e decretando névoas verdades ou propostas sabedorias. A consciência do ciclo e a vontade de crescerem asas. Fénix. Mais as lembranças e o incerto tempo por trás das ideias. Aqui o estranhar, como no aperceber-se estar-se a dormir ainda dentro de um sonho, e a desconfiança profunda de ter na natureza a palavra sozinho, de não ter País. L’Étranger. Ali a palavra do gesto, do jeito, da viagem, do espírito, da confiança. Missão. Entremeando-se na luz o medo dizendo mágoa dizendo Corte. Mais fundo ainda a intenção debatendo-se com o valor da sua importância, por se saber dentro de um pequeno. Entregar-se. Aonde começa, aonde acaba? E o segundo lado de um bilhete de ida e volta. E o espaço entre dois passos. E o passo entre dois mundos. E uma praia entre duas almas de uma só pessoa. Nas mãos de mistério do Tempo voo.

6 comentários:

  1. "Patintende cilanga m'malisye ligongo ngamalisya cilanga coticincigalila yakusakala" - Yao

    Quando fizeres uma promessa, cumpre-a, pois que a falta de cumprimento de uma promessa, sempre traz complicações.

    Anti-palúdicos, saúde, e muito sucesso nos objectivos a que se propôs.

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  2. Muito bem Beau Geste. Como estreia o texto nao podia ser melhor. Mas suspeito que vens de boa estirpe. Iremos seguir atentamente este teu espaco... Como se diz nas terras por onde andas:
    Estamos Juntos!

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  3. Fantástico. Simplesmente. Continue a correr atrás de si. E dos seus sonhos e inquietações. Por aqui, velamos para os encontre.

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