No fundo do formigueiro aberto
Lá está pequeno e dócil
Embrulhado em trapo branco
Pele da cor da terra escura
Segurando o terço que
sua mãe lhe deixou
Para que um anjo
O protegesse.
No fundo do formigueiro aberto
Lá está bem quieto e discreto
Embrulhado em lençol branco
Pálpebras fechados espera
Sob o entardecer do céu
Dorme pequeno
E não chora.
No fundo do formigueiro aberto
Lá está dormindo caladinho
Embrulhado num sonho branco
Olhos bem além do céu
Pudera ter caído
Pudera estar brincando
Mas é pequeno e dócil
E não vive.
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