quinta-feira, março 11, 2010

A minha infância de cima de uma árvore

Tempo da valentia inocente
Tempo onde não havia medo de cair
Tempo onde me chamavam Peter Pan
Pelo ar e o espaço pertencerem
As piruetas do menino caleidoscópio

Tempo em que o Anjo da Guarda
Existia a tempo inteiro, e vigiava
Pairando-me acima do perigo
Carregando-me a consciência
Para eu puder brincar mais um pouco

Tempo em que cada palavra
Se fazia inteira e imparável
Repetida a dias completos
Na sua ébria cheia de poesia.
Tempo em que as palavras seduziam

Tempo em que trepar a uma árvore
Era mais fácil que subir a uma escada
Em que não havia mais monstros
Que o medo deles no escuro da noite
Tempo em que ver o mundo era ser mestre


Infância de um ramo alto e forte de um sobreiro
Estás agora fora do alcance da minha extensão
E subir seria quebrar esse mundo com
O peso dos meus pensamentos…
Deixa-me antes olhar tendo subido a esta escada
Deixa-me ver-te nos outros meninos
Que ainda tem olhos e bocas e tantos sonhos…
O Tempo de longe, o Tempo sempre perto
O Tempo onde os olhos,
Os meus olhos
Brilhavam de facto

E ainda nada tinha desbotado.



(Aos meninos acendalha-de-sonho)

Fim! (da primeira parte)

Acábamos de arrumar os livros da biblioteca!!!

domingo, março 07, 2010

Novo Caril

Estamos todos na mesma panela a ferver. E é muito apertadinha. Infernal, não tem sequer nada de orgia. Ferve. E já bem depenados, derretemos. Derretemos apenas. Apenados para virar mescla informe e mágica que só se traga após apimentar três bons golpes de piri-piri. Já cheira… Há melhor delícia morrer à panela de pressão?! Novo Caril para as manas, os manos e a Mamã. Sorriam.

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