domingo, dezembro 22, 2013

Cisne



Talvez sem querer saber quando voltei
Quis saber quando te vinhas

 

Quis saber se pela mesma rua descerias
Que o acaso de uma juventude livre
Dada a dois beijos inteiros e loucos
Como as mãos que se seguram
E entre elas todas as possíveis vidas
De duas mãos inteiras e loucas.

 

Acaso a rua desceste e eu ainda não vinha
Passagem de vento que um sonho sopraria
Era eu, partícula de nada que te espera e te tem

 

Meu amor a que não posso chamar
Meu amor de asas e caminhos grandes
Quando chega a saudade verdadeira?

 

Quando murcham os meus lábios?
Lábios, sonho, desejo, entrelaço
Neles o teu cabelo o teu sorriso
Entre fitas de cores que não há

 

Talvez sem querer saber se te conheço
Quis saber se ainda te sei

 

Quis saber se pela mesma ânsia vagarias
Que o acaso de uma juventude livre
Dada a dois olhos inteiros e loucos
Como mãos que se seguram
E entre elas todas as partes
De dois mistérios infindáveis

 

Acaso a ânsia vagaste e eu não senti
Passagem de vento que um sonho sopraria
Eras tu, invisivelmente vestida de segredos

 

Meu amor a que não posso chamar
Meu amor de asas e caminhos grandes
Quando chega a sedução imperceptível?

 

Quando murcham os nomes?
Nomes, dedos, esperança entrelaço
Neles as tuas pernas e o passo
Entre fitas de cores que não há



Talvez sem querer saber se me terias
Quis saber se me entregara

 

Quis saber se pelo mesmo abraço sentias
Que o acaso de uma juventude livre
Dada a dois braços inteiros e loucos
Como mãos que se seguram
E entre elas todas as almas
De duas almas terem a
Mesma Mão.

 

Acaso o abraço sentias e eu não me perdia
Passagem de vento que um sonho sopraria
Éramos não-sei-se, lua fora de nós

 

Meu amor a que não posso chamar
Meu amor de asas e caminhos grandes
Quando chega a entrega derradeira?

 

Quando murcha o abraço?
Abraço, lonjura, calor entrelaço
Neles os sonhos de te ver
Entre fitas de cores que não há

 
Nampula 2010

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